Canavieiros, sacoleiros e dona de casa
O Estaleiro Atlântico Sul é o maior do gênero e um dos responsáveis pelo ressurgimento da indústria naval brasileira, além de ser uma das molas da economia estadual. Mas a entrega do primeiro petroleiro encomendado pela Transpetro está atrasada. Se existem problemas, que se faça valer a lei. O que não dá para aceitar é que um dos mais influentes veículos de comunicação do país afirme que essa situação se deve ao fato de que “canavieiros, donas de casa e sacoleiros da região estavam montando um navio pela primeira vez”. Quer dizer que apenas o Sul e o Sudeste podem ter empreendimentos do gênero? O que existe é preconceito puro e simples. Então que venham mais estaleiros. E estão vindo. Já são quatro, como que para calar a voz dos que acham que temos que viver com o facão na mão, cozinhando em casa ou vendendo produtos de porta em porta. Ah, antes que me acusem de bairrismo, sou paulista, portanto não me cabe esta pecha.
Ao mar
O Estaleiro Atlântico Sul (EAS) confirmou que o navio João Cândido, o primeiro da encomenda feita pela Transpetro, deverá ser entregue em dezembro. Agora em novembro deverão ser realizados os testes de necessários e as chamadas provas de mar, nos quais a embarcação é lançada ao mar em condições reais de navegação.

A ponta do iceberg I
Uma desconfiança dos fiscais da Receita Federal em Suape levou à descoberta de dois contêineres com 46 toneladas carregados de material de origem hospitalar oriundos dos Estados Unidos e que tinham como destino o polo de confecções do Agreste pernambucano. Se lá é permitido exportar, aqui a legislação proíbe esse tipo de negócio. Essa foi a ponta do iceberg que envolveu até o FBI, a Polícia Federal daquele país, na investigação para identificar o que de fato ocorreu.
A ponta do iceberg II
A chamada “importação de tecidos com defeito” se dá também em âmbito interno, com empresas do polo de confecções comprando material hospitalar de hospitais localizados em outros Estados do país. Essa situação, segundo as apurações iniciais, não se restringe somente a Pernambuco, sendo praticada por outros polos têxteis do país. Enquanto isso, o temor é que a crise de imagem prejudique um setor que emprega 150 mil pessoas somente em Pernambuco. Como se vê, Suape foi apenas a ponta do iceberg.
Estaleiro I
Apesar do que pensam alguns descrentes Brasil afora, Pernambuco está se consolidando como um cluster naval. O Estaleiro CMO anunciou que vai iniciar as obras de implantação em dezembro. O estaleiro vai receber aportes de R$ 270 milhões, garantindo cerca de 500 empregos diretos apenas durante a sua construção.
Estaleiro II
Confirmando o potencial naval pernambucano, o grupo italiano Navalmare assinou protocolo de intenções para erguer um novo estaleiro em Suape. O investimento, orçado em cerca de R$ 200 milhões, será o quarto do Complexo Industrial Portuário. Ali já existem o Estaleiro Atlântico Sul, o Promar e mais recentemente foram anunciadas as obras do estaleiro da CMO.
Refinaria
A Petrobras confirmou o recebimento, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), das garantias dadas pela venezuelana PDVSA para que esta possa ingressar como sócia da Refinaria Abreu e Lima. A data-limite para a viabilização é 30 de novembro.
Multa
A confusão gerada pela importação de lixo hospitalar acabou sobrando até para a Hamburg Süd, um dos principais armadores que operam em Suape. A companhia, proprietária do navio que trouxe os dois contêineres apreendidos, foi multada em R$ 2 milhões.
Medicina
Ipojuca poderá ganhar um centro médico da Unimed. A rede está estudando a implantação de um complexo de pronto atendimento, que servirá para atender, além dos municípios da microrregião, a demanda do Complexo Industrial Portuário de Suape.