A competitividade dos escritórios
Por Drayton Nejaim | Fotos de Bosco Lacerda.
Com o objetivo de ampliar a densidade e a representatividade do trabalho desenvolvido há quatro anos no universo jurídico do Estado, a revista Negócios PE contratou a DIP - Dados, Informações e Pesquisas para realizar uma pesquisa de satisfação dos serviços jurídicos oferecidos em Pernambuco, com o objetivo de auxiliar os escritórios de advocacia na avaliação de indicadores que influenciam sua competitividade.

A pesquisa, publicada exclusivamente pela revista Negócios PE, foi realizada no Estado de Pernambuco, mediante a ação de resposta presencial e através da internet, via on-line, no período de 20 de junho a 8 de julho de 2011, com empresas de grande e médio porte selecionadas segundo os critérios de classificação por número de empregados do IBGE.
Para a realização do estudo, foram utilizados como base o Cadastro das Indústrias do Estado de Pernambuco 2010, a relação das 50 maiores empresas contribuintes de ISS do Recife divulgada pelo Jornal do Commercio em 2010 e uma lista disponibilizada pela Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco (Sefaz-PE). Dessa forma, foram entrevistados 68 gestores jurídicos, sendo 29 de empresas de grande porte e 39 de empresas de porte médio.
O relatório quantitativo contém gráficos simples e tabelas cruzadas em relação ao porte das empresas. As questões referentes à satisfação e à importância dos entrevistados foram avaliadas seguindo a escala de Likert (não concordo totalmente, não concordo parcialmente, indiferente, concordo parcialmente, concordo totalmente).
1. Área de atuação
Mais da metade das empresas que responderam à pesquisa são indústrias, 32% atuam na área de serviços e 16% atuam no comércio. Seguindo os critérios do IBGE, observou-se que 57% das empresas entrevistadas são de médio porte e 43% de grande porte.

2. Departamento jurídico
A maioria das empresas (56%) tem departamento jurídico e neles trabalham em média cinco pessoas. Nas empresas de grande porte, esse percentual sobe praticamente 80%.
Pessoas no departamento jurídico x porte da empresa
3. Principais áreas demandadas
As áreas mais demandas de processos são trabalhista, com 91%; seguida de tributária, com 60%; cível, com 49%; contratos comerciais, com 46%, entre outras citadas menos representativas.
Em relação ao porte das empresas, verifica-se que os processos "trabalhistas" e "tributários" são mais demandados por escritórios de médio porte, com 95% e 64%, respectivamente, enquanto os processos "cíveis" são mais demandados pelas empresas de grande porte (55%).
4. Aspectos importantes para a escolha do escritório
A reputação do escritório, com 97%, é o aspecto mais importante na hora da escolha de um escritório, seguida da expertise do advogado no setor econômico em que a empresa atua e do tempo de atuação do advogado, ambos com 91%.
5. Tipo de escritório preferido
Novamente confirmando-se a importância da expertise do escritório em cada assunto, 44% das empresas declaram preferir trabalhar com vários escritórios, de acordo com a expertise de cada um. Esse percentual ainda é maior (48%) nas empresas de grande porte. Cerca de 30% preferem trabalhar com um só escritório, do tipo full service, ou seja, que atuam em todas as áreas, facilitando os processos; e 27% preferem trabalhar os processos internamente e só recorrem a escritórios especializados quando necessitam.
Tipo de escritório escolhido x porte da empresa
6. Grau de satisfação com os serviços que utiliza
A avaliação geral dos escritórios jurídicos e a qualidade dos serviços jurídicos foram consideradas muito satisfatórias para 90% das empresas consultadas; o relacionamento com os escritórios também, com 88% das empresas.

7. Modelo de gestão dos escritórios
Mais da metade das empresas (62%) declara preferir escritórios de advocacia administrados pelos próprios sócios, comportamento observado tanto por empresas de grande porte (59%) quanto por empresas de médio porte (64%).
Para 35% das empresas, o tipo de gestão dos escritórios de advocacia é considerado indiferente.
8. Influência na decisão de romper um contrato
Sobre a decisão de romper um contrato, observou-se que a “falha ao oferecer serviço ou solução de interesse da empresa” e a “percepção de queda na qualidade dos serviços prestados” foram consideradas os principais fatores de influência, citadas por 99% das empresas.
Outros fatores, como a “derrota em causa de grande interesse para empresa”, com 96%, e o “mau relacionamento com os sócios do escritório”, com 91%, também foram declarados muito importantes na decisão de romper um contrato.
Influência na decisão de romper um contrato

9. Principal tipo de remuneração

A principal forma de remuneração para dois terços das empresas pesquisadas é através de contratos mensais. Nas empresas de grande porte, esse índice sobe para 72%.
Remuneração dos escritórios x porte da empresa
10. Qualidade do serviço dos escritórios
Quando se avaliaram os serviços de escritório, observou-se que 65% das empresas concordam totalmente quando se afirma que "os valores dos honorários advocatícios são, em geral, muito altos" e 46% concordam totalmente quando se afirma que "a administração dos escritórios é deficiente".
A respeito da assertiva "a formação média dos profissionais é deficiente", 40% das empresas concordam totalmente, 25% a consideram indiferente e 29% não concordam com ela.
Satisfação com os serviços dos escritórios de advocacia
Metade das empresas pesquisadas, 56% e 53%, não concorda quando se afirma que "o mercado deveria ser aberto para profissionais estrangeiros" e que "a taxa de erros cometidos pelos advogados é elevada". Quanto à afirmação "a produtividade dos escritórios é baixa", 46% das empresas pesquisadas não concordam com ela.
11. Rompimento de contrato
Praticamente 70% das empresas não romperam contrato no último ano e mais de 90% não pretendem romper contrato este ano. Entre as empresas pesquisadas que romperam contrato no último ano, os principais motivos foram a baixa qualidade dos serviços e o relacionamento com o escritório.
Rompimento de contrato no último ano x porte da empresa

12. Associação da idade do advogado à resolução de problemas

Para mais de 80% do público entrevistado, a idade do advogado não é associada à capacidade de resolução dos problemas demandados pelas empresas.
Rompimento de contrato no último ano x porte da empresa