Nesta edição: COMPLEXO DE SUAPE, CREDN, FIFA, MAURÍCIO RANDS, PITÚ, PORTO DE PECÉM, ROMERO BRITTO,
TRANSNORDESTINA
ANO DE COPA DO MUNDO E DE ELEIÇÕES
Serão 365 dias bem agitados. O ano de 2010 chega prometendo, para a economia brasileira, um
crescimento acima de 5% e Pernambuco deve vir na crista da onda com o avanço nas obras estruturadoras
do Complexo de Suape e da Transnordestina, ferrovia que servirá de escoadouro para as exportações entre
o Porto de Suape e o Porto de Pecém, no Ceará. Se os fatores endógenos contam a favor da expansão,
o cenário externo traz como desafio um dólar desvalorizado, dificultando as vendas internacionais, mas
abrindo caminho para a importação e para a renovação da indústria.
Já a Copa da África do Sul será, para o Brasil e para Pernambuco, uma oportunidade de aprender,
para 2014, com os erros e os acertos do primeiro mundial disputado no continente africano e, é
claro, a chance para promover culturalmente o país. A propósito, a Fifa escolheu 17 artistas
plásticos de diferentes nacionalidades para a criação de pôsteres sobre o tema “Copa do Mundo
na África do Sul” e faz parte dessa seleção o pernambucano Romero Britto, conhecido
internacionalmente por suas obras alegres e coloridas. A cara de Pernambuco...
Nos pleitos eleitorais, as discussões em torno da política externa do país deverão ganhar mais
espaço. Propostas governamentais sobre controle de mudanças climáticas, integração regional,
participação em foros multilaterais e um assento permanente no Conselho de Segurança da
ONU poderão fazer a diferença na escolha do eleitor. Sobre o assunto, conversei com Maurício
Rands, deputado federal pelo PT-PE e membro da Comissão de Relações Exteriores e
Defesa Nacional do Congresso.

LÁ FORA: Nas últimas eleições democráticas, o espaço dedicado às discussões em torno da política
externa do país foi muito modesto. Esse tema ganha mais espaço em 2010?
MR: O Brasil consolidou-se como líder regional e começa a ser ouvido em todo o mundo. Em breve conquistaremos um
assento no Conselho de Segurança da ONU, tudo em razão de nossa competente política externa, aliada a uma política
econômica e social igualmente reconhecida e elogiada em todos os foros internacionais. Não tenho dúvida de que todas
essas conquistas terão amplo espaço na campanha eleitoral de 2010.
LÁ FORA: Os brasileiros estão mais conscientes sobre temas como mudanças climáticas, integração
regional e Conselho de Segurança da ONU?
MR: Estamos começando a ter mais consciência sobre esses temas. O Brasil assumiu uma posição audaciosa e corajosa de
reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 36% e 39% até 2020. Com isso, terá muito mais autoridade para cobrar
de países como a China e os EUA. Avançamos muito na integração regional e estamos próximos de conquistar uma cadeira
permanente no Conselho de Segurança da ONU.
LÁ FORA: O share de Pernambuco nas exportações brasileiras é de apenas 0,47%. O que fazer para
mudar essa realidade?
MR: A participação de Pernambuco nas exportações brasileiras ainda é muito pequena, mas o Estado tem crescido acima
da média nacional e com boas perspectivas para os próximos anos. É preciso investir em infraestrutura, capacitação de mão
de obra e educação pública de qualidade. E também fazer as reformas tributária, do judiciário, sindical e trabalhista, que
dependem do Congresso.
Lá FORA: Previsões consideram que os efeitos da Copa do Mundo e das Olimpíadas podem gerar um
aumento de 30% nas exportações brasileiras...
MR: Acho que pode gerar até mais se lembrarmos que, além da Copa e das Olimpíadas, teremos também a exploração do
petróleo da bacia do pré-sal. Pernambuco deve aproveitar o momento em que todos os olhos do mundo estarão voltados para
a Copa de 2014 para, a partir desse evento, “vender o
nosso peixe”. O Brasil vai fazer bonito.
QUEM NÃO PAROU DE CRESCER EM 2009 foi a Pitú. Presente nos cinco continentes
e em mais de 50 países, a engarrafadora superou as previsões e atingiu, no balanço anual, um crescimento de 15% nas vendas internacionais em relação a 2008, enquanto a expectativa, antes da crise, era de uma expansão de 10%.
A companhia pernambucana, líder entre as nacionais, produz cerca de 86 milhões de litros por ano e é responsável
por 37% das exportações de cachaça do Brasil, o que corresponde a apenas 2% do faturamento global da empresa.
No país são produzidos, anualmente, 1,3 bilhão de litros da bebida, mas apenas 1,2% é destinado
ao mercado internacional. Ainda em 1970, a Pitú fez a primeira investida no mercado alemão,
tornando-se a primeira cachaça brasileira a entrar no país da Oktoberfest. Atualmente, o mercado
europeu representa 60% das vendas externas, seguido pelos Estados Unidos, com 10%.

Conhecida LÁ FORA como “Brazilian vodka”, a cachaça ganha, acentuada pelo efeito da projeção mundial do Brasil, uma crescente aceitação no exterior. Apesar dos esforços para difundir o consumo
da bebida, o desconhecimento do público ainda pode gerar situações curiosas. “Em 2002 participei de
uma missão empresarial na China. Ao fim de apresentação sobre a cachaça, distribuí meus cartões de
visita (os cartões estampam o símbolo de uma espécie de camarão, o pitu) e pensaram que vendíamos
camarão. A partir de então, meus cartões de visita contam a história da empresa e a origem do nome para evitar a confusão”, relembra Vitória Cavalcanti.